A pressão da sociedade na vida

Quero partilhar aqui com vocês uma coisa que tenho começado a viver e que me faz questionar a sociedade e o mundo. Para contextualizar quero dizer que tenho 25 anos, sou solteira e desempregada, já tive alguns relacionamentos de longa duração mas acabaram. Morando com os meus pais, muitas vezes, saio com a minha mãe para a ajudar com as obrigações dela e inevitavelmente nessas saídas acabamos por encontrar amigas dela, pessoas conhecidas e que sempre metem conversa.

Um traço comum a todas essas conversas são as perguntas: como estamos, o que fazemos na vida e se já namoramos, casamos ou tivemos filhos. E é aqui que eu não entendo. Quando eu digo que não namoro, não sou casada e nem tenho filhos TODAS as pessoas ficam incomodadas de eu não dizer que sim a uma das três questões e acabam por sentir (não sei porquê), pena de mim, pior ainda, uma ou duas dessas pessoas ainda teve a lata de me chamar: solteirona/encalhada.

É aqui que eu começo a questionar, porque é que eu por não ser comprometida ou não ter filhos sou merecedora de pena por parte das pessoas e sou logo rotulada de encalhada? Eu sinto-me bastante feliz solteira e nunca pensei ter filhos, nunca fez parte do meu plano de vida. Estou feliz e de bem com a minha vida e não preciso da pena de ninguém.

Então, porque é que a sociedade prefere ver alguém comprometido e infeliz do que solteiro e feliz? Sim, porque estas atitudes levam a que muitas pessoas que estão em relacionamentos abusivos, seja psicológica ou fisicamente, fiquem com medo de serem rotuladas de solteironas ou encalhadas, fazendo com que permaneçam nesses relacionamentos.

E porque é que quando eu digo que não quero ser mãe, toda a gente me diz que eu tenho de ser? Toda a gente me diz que isso vai mudar? E em casos mais extremos que uma mulher para ser mulher tem que ser mãe? A mulher não tem de ser nada para ser mulher, eu prefiro não ser mãe a ser uma má mãe como algumas pessoas neste mundo. Ter filhos nunca foi um desejo meu, muito pelo contrário, desde sempre que me lembro que eu não quero ser mãe.

Que tal repensar a maneira como pensamos e dar espaço a cada um para ser quem é? Que tal não comentarmos a vida dos outros como se a conhecêssemos? Não podemos julgar o livro pela capa, nós não sabemos o que vai na vida de cada um. Ao nos metermos nestas questões nós não sabemos do que estamos a falar, se estamos a falar de alguém que tenha tido um relacionamento abusivo recentemente, se alguém que acabou de se separar e que ainda está magoado por isso, não sabemos se a pessoa pode ou não gerar uma criança. Vamos ter calma naquilo que dizemos porque podemos estar a magoar alguém.

Quanto a mim, sigo feliz, solteira e sem filhos… Obrigada por não perguntarem! 😉

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Liberdade?!

Somos livres? Será?

Não venho aqui hoje dar um aplauso a liberdade apenas, claro, comparando com as gerações anteriores evoluímos e muito a nossa forma de pensar e de interagir uns com os outros, mas, não quer dizer que não tenhamos muito trabalho ainda por fazer, ainda para mais nesta era digital onde o facebook e o instagram são reis e onde parece que todos perderam o filtro que é necessário para calcular o que podemos ou não podemos dizer uns aos outros e dos outros.

Hoje, a falta de liberdade é mais entre os nosso pares e não tanto com “entidades” superiores (governos, …. ), porque se eu sair de mini-saia ainda fica toda a gente a olhar, porque se eu namorar com mais do que um ou dois rapaz já tenho um rótulo colado à pele da qual dificilmente me vou livrar, porque se não estiver comprometida até certa idade vou ficar para tia e ninguém me quer, porque se eu me encher de tatuagens e piercings ando na droga e ninguém me dá emprego, porque se eu falar com sotaque tenho que o perder.

É neste sentido que há muito trabalho para fazer. Não sou livre. Ainda falta muito. Mas já evoluímos alguma coisa.