Desapeguei… e tirei coisas dos armários

Já uma vez fiz um post aqui no blog sobre o desapego, entretanto aconteceram algumas mudanças na minha vida que me levaram a também eu desapegar, desta vez de bens materiais, por isso, peguei nas minhas coisas e fiz uma selecção.

Para esta selecção, tive alguns critérios, o primeiro de todos é tirar tudo o que não se usa, por isso, roupas que já não uso, materiais de desenho, livros que já li, saíram todos dos armários. Claro que deste grupo, escolhi aquilo que ainda estava em boas condições e o que já não estava em boas condições para separar entre o lixo e a doação.

O segundo critério que tive foi: o significado dos objectos. Perceber que valor dou às coisas e que sentimentos elas me transmitem, portanto, aquela peça de roupa que me foi dada por aquela pessoa que me fez mal mandei para a doação, porque sempre que via essa peça de roupa lembrava-me do mal que essa pessoa me fez, por isso, doei. Já as peças que me fazem lembrar momentos importantes estão comigo, justamente para me lembrar dos momentos felizes que vivi.

A parte mais difícil do desapego é a sinceridade, por estarmos apegados a uma peça muitas vezes arranjamos desculpas para mantermos as coisas em casa, ou porque um dia ainda poderemos vir a precisar ou porque ainda está em bom estado e assim vamos continuar a manter coisas acumuladas em nossa casa, por isso, na hora de escolher é preciso saber se estamos a ser sinceros connosco, caso contrário vamos continuar com a casa cheia de coisas que nunca usamos.

Vocês já desapegaram dos acúmulos que têm em vossa casa? Deixem-me as vossas dicas aqui em baixo.

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As cores definem a orientação sexual?

Já aqui falei algumas vezes sobre as “diferenças” entre meninos e meninas, este tema é muito presente na minha vida por ser menina mas sobretudo por querer que tanto o meu sobrinho, como a minha sobrinha, tenham oportunidades iguais para serem quem são e para terem liberdade de se expressar como quiserem. Para mim, não faz, nem nunca fez sentido aquela divisão que é feita logo a nascença: azul é para menino e cor-de-rosa é para menina, talvez porque nunca fui grande fã de cor-de-rosa mas sempre gostei muito de azul.

Fui crescendo e fui ouvindo que os homens que vestem cor-de-rosa são homessexuais, como se isto fosse um insulto e eu nunca percebi o porquê. Lembro-me quando o Benfica teve um equipamento cor-de-rosa, que não se falava de outra coisa porque: “Homens que são homens não se vestem de cor-de-rosa”. Isto já lá vai uns anos.

Agora, veio a Zippy, marca de coragem, com uma colecção que serve tanto para menino como para menina, para mim, assim que vi a colecção o único problema que lhe apontei foi o facto de não existir peças com cor-de-rosa, ou seja, o preconceito com o cor-de-rosa continua a não ser quebrado. Mas, para meu espanto, a grande polémica desta colecção foi a campanha. A campanha que têm todas as cores do arco-íris e que se assemelha levemente a bandeira LGBTQI+ e foi aí que apareceram muitas pessoas a dizer que vão fazer boicote à Zippy, que a marca está a tentar influenciar a identidade de género das crianças, que é inadmissível associarem as crianças a uma orientação sexual.

Por isso, eu venho escrever este post, para dizer: Meus amigos, a identidade de género e a orientação sexual não se define pela roupa que nós vestimos, não se define pelas cores que usamos, não se define porque uma marca de roupa faz uma campanha colorida. A roupa não diz nada sobre a nossa orientação sexual. Bem como a profissão, o carro, as amizades. Nada. A orientação sexual e a identidade de género faz parte daquilo que a pessoa é e nasceu para ser. Eu posso ser uma advogada super bem-sucedida e ser lésbica ou bissexual ou transgénero, o meu amigo pode ser bailarino (profissão frequentemente associada a homens gays) e ser heterossexual.

A identidade de género e a orientação sexual faz parte do que a pessoa é: não é uma escolha, não é influenciável por cores, amizades ou profissões, cada um é como é, tal como uma pessoa nasce com os olhos castanhos, azuis ou verdes, a orientação sexual e a identidade de género também nascem connosco.

Por isso, apesar de não haver uma peça cor-de-rosa nesta colecção, venho aqui aplaudir de pé a Zippy pela campanha e pela coleção porque só assim é que a sociedade evolui, continuem assim, por favor, não desistam. Parabéns.

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Vamos livrar-nos de rótulos?

Se há coisa que é habitual no ser humano é rotular as pessoas, seja porque é desorganizada, porque é desatento, demasiado tímido, porque estamos despenteados, porque somos demasiado magros ou demasiado gordos, porque somos demasiado novos ou demasiado velhos. Para todo o tipo de pessoas temos um rótulo, quase sempre dado sem conhecer a pessoa que estamos a rotular, então, se vemos alguém que tem um cabelo ondulado e não liso, muitas vezes, já dizemos que a pessoa está despenteada, se a pessoa é mais gordinha é porque só come e porque não faz mais nada além disso. Estes rótulos são dados sem se pensar minimamente no que pode estar por trás da vida da pessoa ou como a pessoa se pode sentir ao ouvir este rótulo.

A Madre Teresa de Calcutá dizia uma coisa com a qual eu concordo muito: “Quem julga as pessoas não tem tempo para amá-las” e isto é rigorosamente verdade, nós quando perdemos tempo a pôr as pessoas em caixinhas não estamos a investir esse mesmo tempo em conhecer a pessoa e a saber mais sobre ela, estamos apenas a olhar superficialmente para ela e a subjugar a pessoa a algo.

Sim, porque eu acredito que quando estamos a rotular alguém estamos a subjugá-la a alguma coisa que é negativo, porque estamos a ver apenas um lado da nossa percepção da pessoa, quando isso pode não ser a verdade. Nós somos muito de muitas coisas, não é porque eu tenho um estilo mais descontraído que não sou uma pessoa séria, não é porque eu sou bem disposta que não sou competente, nós somos muitas coisas e temos várias facetas. E ao colocarmos rótulos estamos a tentar que a pessoa não viva em pleno todas as suas facetas, porque se desde pequenos ouvimos constantemente, que somos apenas aquilo, chegamos a um ponto da nossa vida em que podemos acreditar que somos mesmo só aquilo.

Quando na realidade, nós viemos cá para sermos felizes e a felicidade constrói-se a partir da aceitação de quem realmente somos, por isso, não vale a pena termos encaixar-nos nesta ou naquela caixinha, vamos é sair todos da caixa e vivermos a melhor versão de nós próprios mesmo que isso implique opostos. Vamos amar as nossas particularidades porque é isso que nos distingue e faz de nós os seres humanos únicos e extraordinários que somos, ao querermos encaixar-nos neste ou naquele padrão estamos a tornar o mundo todo igual, estamos a pintar um quadro todo da mesma cor, quando poderia ser um conjunto de cores dinâmico e emocionante. Por isso é tão importante aceitarmos o nosso verdadeiro eu, por isso é tão importante fugir dos rótulos e não julgar sem conhecer. Somos todos únicos e no final da vida tornamo-nos todos no mesmo, por isso, vamos aproveitar este intervalo de tempo em que cá estamos para sermos o mais felizes possível, sem complicações ou preconceitos.

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Vamos falar sobre peso?

Estamos numa altura das nossas vidas em que os nossos corpos são alvos de críticas e de preconceitos constantemente, ou porque estamos acima do peso ou porque estamos magros, todas as formas físicas são “boas” para receberem críticas.

Eu, por exemplo, por ser magra não posso dizer que ando a cortar nas pizzas ou nos hambúrgueres, nem sequer posso ousar dizer que tenho de começar a fazer mais exercício físico, porque aos olhos da sociedade já sou magra o suficiente não preciso de ter mais cuidados.

Já uma pessoa que esteja acima do peso, não pode comer nada porque as pessoas começam automaticamente a tentar perceber o que é que ela vai comer e se têm o azar de ir comer fora a uma rede de fast food é automaticamente criticada, quando na realidade, pode ser a única vez na semana que ela está a quebrar a regra. E mesmo que não seja, mesmo que seja hábito, ninguém têm nada a ver com isso.

Temos de perceber que cada um sabe de si, e podemos ver alguém que seja gordo e seja muito mais saudável que uma pessoa magra, o peso não é indicativo do estado de saúde. Já pensaste que a pessoa gorda que ainda hoje estiveste a controlar o que comia, pode na realidade ser gorda por conta de alguma medicação que a pessoa toma? E essa mesma pessoa pode ter todos os cuidados alimentares para tentar contrariar essa tendência a engordar? Assim como a pessoa magra, pode ser extremamente sedentária e só comer porcarias, e por isso, ter problemas de saúde.

Eu acho que nós temos de ter a noção que nós não sabemos o que se passa na vida das pessoas pelo peso delas. Nós não temos todos de ter corpos esculturais e todos trabalhados. Temos sim, de viver dentro de um corpo que nos faça feliz. No final das contas, para que me serve um corpo escultural, se eu odeio todo o ritual de fazer exercício e de restrição alimentar para lá chegar? Do que me serve ter um corpo magro, se na realidade eu amo comer e vivo infeliz de não poder comer o que quero?

Na verdade, este post serve para apenas um motivo: percebermos que a forma do corpo não nos define: estados de saúde, personalidade, capacidade ou não de trabalhar. A forma do corpo é apenas isso: uma forma, e é cada um dentro do seu corpo e com o seu médico que sabe, o que é ou não melhor para si, e não nós, meros juízes de bancada, a julgar apenas por uma imagem que temos da pessoa.

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Por um mundo melhor… igualdade

Ser mulher é maravilhoso, mas também, ainda é um desafio. Ainda somos vistas como o sexo fraco, ainda somos rotuladas por coisas que um homem nunca seria, ainda somos vistas como mão de obra mais barata, ainda somos vistas como menos inteligentes, ainda somos vistas como menos capazes, ainda somos vistas como exageradas, ainda somos vistas como dramáticas. Claro que estou a generalizar mas ainda há muitas pessoas que pensam assim.

Há orgulho, por parte dos homens, de ajudarem as mulheres nas tarefas domésticas, no entanto, as mulheres não precisam de ajuda nas tarefas, precisam sim, de partilhar as tarefas com alguém. Quando um filho nasce é a mulher que fica em casa, melhoramos um pouco, os homens podem ficar uns dias com a mulher, mas serão dias suficientes para a recuperação da mulher? Quando uma mulher vai viajar a trabalho sem o filho, tem o rótulo de ser má mãe, já se for o pai, é um bom pai de família.

Ganham as mulheres o mesmo que os homens na mesma função? Não. A opinião da mulher têm o mesmo peso que a do homem? Não. Sofre a mulher bullying em “funções de homem”? Sim. Quando uma mulher se queixa de alguma coisa é considerada uma histérica? Sim. Quando uma mulher está revoltada com algo, automaticamente assumem que está de TPM? Sim.

Por tudo isto e muitas mais coisas, há muito trabalho a fazer para que uma mulher tenha o mesmo lugar na sociedade que um homem, por isso, mãos ao trabalho e nada de baixar os braços. Por uma sociedade mais equilibrada, funcional e justa.

Feliz dia da mulher.